Mulheres de Cinzas, Mia Couto

Olá, olá!

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Mia Couto – Mulheres de Cinzas

O primeiro post no blog logo nos leva para bem longe! Está curioso por uma aventura literária na África? Então venha conferir!

Moçambique – embora também tenha sido colônia portuguesa – continua um mundo um tanto quanto exótico para nós, não é? Pouco sabemos a respeito, mas o autor moçambicano Mia Couto definitivamente é a prova de que isso há de mudar!

Em 1505, o país fora anexado ao Império Português, e só viria a ser independente mais de quatro séculos depois, em 1975. Apenas dois anos depois, porém, Moçambique enfrenta uma intensa e prolongada guerra civil que durou até 1992. Tem várias obras dele, como por exemplo a mais famosa, ‘Terra Sonâmbula‘, que falam a respeito do conflito.

Sinopse

Na obra de hoje – Mulheres de Cinzas – Mia Couto leva-nos ao Sul de Moçambique no final do século XIX, época em que era governado pelo último dos líderes do Estado de Gaza (segundo maior império no continente comandado por um africano) – Ngungunyane. Para assegurar o domínio colonial na região, o sargento português Germano de Melo é enviado ao vilarejo de Nkokolani. É nessas bandas que ele encontra a nativa Imani, menina que pertence aos VaChopis (tribo que se opõe à invasão de Ngungunyane). Ela fora instruída por padres europeus que viviam no seu vilarejo e assim aprendeu o português, motivo pelo qual será a intérprete de Germano nas discussões entre ele e os VaChopis. Com o tempo, eles acabam se envolvendo cada vez mais (de forma bem diferente do que se conhece em outras obras, mas não vou entrar em muitos detalhes para não dar spoiler!).

“Se permanecesse imóvel por um tempo, aconteceria o inverso daquilo que ela esperava: as letras é que começariam a olhar para ela. E iriam segredar-lhe histórias. Tudo aquilo parecem desenhos, mas dentro das letras estão vozes. Cada página é uma caixa infinita de vozes. Ao lermos não somos o olho; somos o ouvido.” – Imani

O personagem de Imani é muito notável como símbolo pela mulher africana numa realidade assombrada pela guerra, o jeito que ela lida com diferentes situações ao longo do romance demostra ela como pessoa de caráter extremamente forte e frágil ao mesmo tempo.

Sobre Mulheres de Cinzas

Mulheres de Cinzas é o primeiro volume da trilogia “As Areias do Imperador”. Nele, Mia Couto narra os tempos horríveis do colonialismo em Moçambique, misturando fatos históricos com uma boa dose dos mitos e crenças moçambicanos, que para nós num primeiro momento podem parecer bastante incomuns e exóticos. O livro conta com uma enorme força de expressão que tanto abala e comove como fascina.

“Na noite passada esmaguei com o pesa-papéis uma dessas repugnantes aranhas. Um esguicho pastoso e fétido inundou todo o tampo da mesa, inutilizando a correspondência que ali se encontrava. O meu rosto, mãos e braços ficaram todos conspurcados por aquela peçonha esverdeada. Tive medo que o veneno fosse absorvido pela pele e seme espalhasse pelas veias. Imani diz que não devo matar bichos. E tem uma teoria curiosa sobre os serviços que as aranhas prestam. Diz ela que as suas teias fecham as chagas do mundo. E que saram feridas que desconheço dentro de mim. Enfim, fantasias próprias dessa gente ignorante” – Germano de Melo

O romance é dividido em capítulos, sendo um narrado por Imani e o seguinte uma carta de Germano, sempre alternando, trazendo assim os pontos de vistas dos dois personagens principais.

O segundo volume – A Espada e a Azagaia –  já foi lançado em Maputo, em 5 de setembro de 2016. Confira uma entrevista a respeito clicando aqui!

Sobre o Autor

Mia Couto nasceu na Beira, Moçambique em 1955.

Além de escritor é também biólogo e já foi, inclusive, jornalista. Suas obras são publicadas em 22 países e traduzidos em alemão, francês, castelhano, catalão, inglês e italiano.

Em 2013 foi homenageado com o Prémio Camões. É sócio correspondente, eleito em 1998, da Academia Brasileira de Letras.

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Espero que gostaram do primeiro post e que tenham ficado curiosos para ler Mia Couto caso ainda não tenham lido! Realmente é um autor muito, muito talentoso e vale conferir sua vasta obra! O que mais me fascina – além dessa porta a um mundo tão interessante que Mia Couto nos abre – é a sua linguagem, uma prosa poética muito agradável e linda..

Já leram algo de Mia, caso sim, qual obra? Comentem aqui embaixo!

 

 

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Uma consideração sobre “Mulheres de Cinzas, Mia Couto”

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