Ensaio sobre a cegueira, José Saramago

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Já pensou? Ser um médico reconhecido, ser, talvez, oftalmologista?
Está, então, no seu consultório, se preparando para a próxima consulta, uma simples conjuntivite, quando recebe uma ligação telefônica nada comum: um homem cegou do nada, no meio do trânsito. Caso curioso, hein? Meia hora depois o coitado chega no seu consultório e realmente, o homem está completamente cego! Pelo jeito que ele se articula, você como especialista percebe logo que não poder fazer muito tempo que os olhos dele lhe abandonaram. Mas os sintomas de sua cegueira, uma cegueira branca!, não se encaixam em nenhum caso já conhecido. Você lhe passa alguns exames e então ele vai embora. Quando, de noite, você consulta todos os seus livros acadêmicos atrás de uma dica, atrás da solução, num virar de páginas, acontece o inacreditável: você também cegou.

Sobre o livro

É isso que acontece com um dos personagens principais de Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. Como o próprio título já diz, trata-se de um ensaio, um texto que expõe ideias e reflexões do autor sem ser muito formal.

A história passa-se em algum país não definido a um momento não definido da história da humanidade, podendo se julgar atual (Saramago menciona carros, máquinas de lavar etc). Isso permite que o enredo poderia acontecer a qualquer momento em qualquer lugar, ou seja, temos aqui um ensaio universal.

Característica típica de Saramago, não notamos um grande respeito com as regras de pontuação,o que torna a leitura, no começo, um pouco mais devagar, porém não interfere em nada o prazer da leitura.

Sinopse

Num dado momento, as pessoas de uma cidade não definida começam, então, a cegar. A cegueira é altamente contagiosa e parece não ter explicação científica. No início, o governo resolve colocar os cegos dentro de um antigo manicômio, que está sem uso há um tempo (e encontra-se em devidas condições…), para evitar que a cegueira se espalhe. Esse plano acaba falhando, mas a esta altura os personagens principais já estarão todos ‘presos’.

Dentre os cegos presos temos o oftalmologista e sua esposa (a única pessoa que não chega a cegar), uma menina de óculos escuros, um rapazinho estrábico, o primeiro cego e sua mulher e um velho de venda preta. Enquanto no mundo de fora, tanto as relações sociais quanto a infra-estrutura se dissipam, no mundo do manicômio acontecem coisas absolutamente desumanas.

“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.”

Sem a ajuda de ninguém a orientação torna-se uma tarefa extremamente difícil em um lugar desconhecido. Não só enfrentam os cegos grandes dificuldades para achar banheiros, por exemplo, como o próprio governo, responsável pelo cativo deles, não consegue (ou não está nem aí?) proporcionar aos presos a quantidade de comida necessária, isto, até que mesmo do lado de fora ninguém mais vê.

A escassez de alimento torna as pessoas, que já estão desesperadas com a situação, em seres egoístas e sem juízo, havendo brigas violentas entre grupos que se formaram, até que num dado momento, devido a um dado acontecimento, as pessoas conseguem sair do manicômio. São obrigadas, então, a se virarem do lado de fora, tarefa que mesmo com a ajuda da mulher do médico (única pessoa não cega) se mostra difícil…

Pensamentos e reflexões

Uma curiosidade é que não há descrição de fatos visuais em em grande parte do livro. Isto faz com que nos sintamos igualmente cegos e perdidos quanto a localidades e à aparência das pessoas. Por outro lado, essa condição permite uma liberdade muito grande para a nossa fantasia e imaginação, o que proporciona a cada leitor uma experiência única.

A forma com que Saramago reduz a humanidade às necessidades e afetos mais básicos, abrindo a nossa mente para o quão cegos nós somos todos os dias mesmo com os olhos perfeitamente saudáveis, é assustador.

“Só num mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são.”

É notável a percepção negativa que ele tem da humanidade, e o que mais assusta, é o quão realísticos os acontecimentos parecem ser. Sem exagero, apenas uma tentativa de ver a crueldade de uma humanidade que abdicou de quaisquer regras socais por pura necessidade de sobrevivência. Pensar que seríamos todos capazes de agir desta forma quando expostos a uma semelhante situação, que o que nos impede de ser “a coisa” que ele menciona, só porque a convivência na nossa sociedade e o estilo de vida não estão o requerendo no momento, faz pensar que a humanidade é uma bomba tiquetaqueando…

Sobre o autor

José Saramago nasceu em Golegã, Azinhaga, Portugal em 1922.

Foi o único autor de língua portuguesa a receber o Prémio Nobel de Literatura (1998). Escreveu também O Evangelho segundo Jesus Cristo, As Intermitências da Morte, Memorial do Convento, entre várias outras obras.

Faleceu em 2010, Lanzarote, Ilhas Canárias

Fundação José Saramago: www.josesaramago.org

. . .

E vocês, já leram O Ensaio sobre a Cegueira ou outras obras dele? Comentem aqui embaixo!

Espero muito que tenham gostado, boas leituras a todos!

 

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3 comentários em “Ensaio sobre a cegueira, José Saramago”

  1. Oi. Primeira vez aqui e adorei seu blog. Provavelmente tirarei ótimas dicas daqui.
    Esse é um livro que quero ler, mas nunca encontro em um preço bacana hahaha. Antes eu tinha um pouco de receio com o estilo de escrita do autor, mas essa é uma obra tão maravilhosa (creio eu), com uma reflexão tão maior, que esse obstáculo será mero detalhe. Preciso lê-lo!!

    Te convido a conhecer meu blog também. Sou eu e Victor (meu namorado) escrevendo. Espero que goste. Beijos 😀

    ourbravenewblog.weebly.com

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    1. Oi! Sejam bem-vindos aqui!
      Acabei de ver que o seu comentário não saiu porque era preciso uma aprovação minha e eu não sabia disso (Preciso ver como tira isso..)!
      Então mais uma vez muito obrigada pelo comentário, fico muito feliz que gostou e espero que vão gostar das futuras postagens também!
      Eu também amei conhecer o blog de vocês, como já comentei lá, achei super legal a diversidade dos livros que vocês resenham. Torna-se ainda mais interessante porque são duas pessoas resenhando, ou seja, dois gostos diferentes e mais variedade para mim como leitora! Já estou ansiosa pelas próximas postagens de vocês! Abraços!!

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